Por Bruno Oliveira
Na última sexta-feira (31), completaram-se 15 anos da partida de Maria Eunice Silva de Moraes, carinhosamente conhecida por todos como Tia Amo. Há pessoas que passam por nossas vidas e outras que permanecem para sempre. Recordá-las não é apenas saudade — é também dever de memória.
Acredito, de verdade, que preservar exemplos como o de Tia Amo é uma missão. Uma grande educadora. Quantas pessoas alfabetizadas por suas mãos. Quantos ensinamentos deixados. Quantas vidas transformadas. Não apenas pela fala, mas, sobretudo, pelo exemplo.
Foi diretora da Escola Jaime, gestora no Educandário Mickey e, quando preciso fosse, professora — daquelas completas, que ensinavam conteúdo, valores e limites. Educava com firmeza, mas também com afeto. E isso fazia toda a diferença.
Lembro bem quando ela me chamava de “Bruninho”. Lembro também das chamadas de atenção — e quem levou uma, sabe: era daquelas que não precisavam ser repetidas. Bastava uma vez. Amor também é isso: duro quando precisa, honesto sempre, sincero do começo ao fim. Ensinar o certo exige firmeza; sem ela, tudo vira relaxamento.
Recordo ainda o dia em que passei para a Escola de Aplicação. Vieram os elogios, o abraço apertado e o famoso xerô da Tia Amo. Momentos simples, mas que ficam gravados para a vida inteira.
É nessas lembranças que, inevitavelmente, um cisco insiste em cair no olho. Difícil conter. Principalmente ao lembrar da sua batalha nos últimos anos. Lutou firme, como sempre viveu. Até que o corpo cansou e Deus fez o chamado. Um chamado merecido. Descanso de quem foi guerreira até o fim.
Tia Amo não teve filhos biológicos. Mas teve centenas de filhos espalhados por salas de aula, corredores de escola e histórias de vida. Ela amou o que fazia. Amou gente como eu e você. Amou tanto que deixou marcas eternas.
No fim, essa brincadeira de palavras vira verdade:
Tia Amo amou. E nós amamos Tia Amo.









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