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28 anos depois, sargentos da PM são punidos por crime contra canavieiros em greve em Goiana

Quase 28 anos após um crime que chocou Pernambuco, quatro sargentos da reserva remunerada da Polícia Militar foram punidos administrativamente nesta terça-feira (7). A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado e diz respeito ao homicídio de um cortador de cana e a 13 tentativas de assassinato durante uma greve de trabalhadores rurais, em 1998, no município de Goiana, na Zona da Mata Norte.

A sanção de reforma administrativa disciplinar foi aplicada aos sargentos da Radiopatrulha José Marcelino da Silva Neto, Sérgio José de Oliveira Lemos, Rosinaldo das Chagas Dantas e José Augusto da Silva Neto. A medida consta em portaria assinada pelo secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho.

De acordo com o documento, o Conselho de Disciplina da Secretaria de Defesa Social (SDS-PE) apurou a conduta dos militares com base na condenação criminal já transitada em julgado. Em 2008, os policiais, junto com outros 10 réus, foram condenados pelo Tribunal do Júri a 18 anos de prisão pelo assassinato do canavieiro Luís Carlos da Silva, de 27 anos, casado e pai de dois filhos.

Após o crime, os PMs chegaram a ser detidos no centro de detenção da corporação, no Grande Recife, mas responderam ao processo em liberdade.

A portaria destaca que “restou comprovada a autoria e a materialidade”, configurando transgressão disciplinar grave. Apesar disso, foram considerados princípios como razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta o longo tempo decorrido desde o fato, a ausência de reincidência e o histórico funcional dos militares, que incluía elogios e até promoção por bravura.

Com a decisão, os sargentos deixam a condição de reserva remunerada e passam à reforma administrativa. Na prática, eles passam a receber salários proporcionais ao tempo de serviço e ficam definitivamente impedidos de retornar ao serviço ativo.

A SDS-PE informou, por meio de nota da Corregedoria Geral, que a medida é resultado da conclusão do Conselho de Disciplina nº 2022.12.5.001971. “Os policiais foram punidos disciplinarmente com a sanção de Reforma Administrativa, nos termos da legislação aplicável. A medida funciona como inatividade compulsória e irreversível”, destacou.

A Secretaria também determinou que a Fundação de Aposentadorias e Pensões do Estado de Pernambuco (Funape) adote as providências necessárias para o cumprimento da decisão.

Entenda o caso

O episódio ocorreu em 4 de novembro de 1998, durante uma greve de trabalhadores rurais em um engenho ligado à Usina Santa Teresa, em Goiana. Os canavieiros reivindicavam melhores condições de trabalho e reajuste salarial.

Segundo registros da época, trabalhadores de outras localidades foram contratados para substituir os grevistas, o que aumentou a tensão. Representantes do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Goiana enviaram um grupo ao local para negociar com os responsáveis pela usina.

Durante o impasse, os grevistas foram surpreendidos por um bloqueio formado por policiais militares e seguranças privados. Em meio ao clima de tensão, houve disparos contra os trabalhadores. O ataque resultou na morte de Luís Carlos da Silva e deixou outros 13 feridos.

O caso teve grande repercussão à época e se tornou símbolo de violência no campo em Pernambuco.

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