O que começou como uma promessa de progresso, virou sinônimo de frustração. A tão falada pista de Lagoa de Outeiro, em Buenos Aires, foi vendida como uma das grandes obras estruturantes do município. Mas hoje, se transformou em um símbolo de abandono, buracos e alagamentos. Onde antes se soltavam fogos para comemorar o anúncio do projeto, agora ecoa o silêncio da insatisfação popular.
O assunto, claro, veio à tona na sessão da Câmara Municipal desta quinta-feira (7). O vereador Osman Flor, em discurso firme, entregou em mãos ao vereador Sil de Outeiro cópias do processo judicial no qual a Prefeitura aciona a empresa responsável pela obra. Um movimento necessário, mas que carrega um desafio: o tempo. Todos sabem que a Justiça brasileira é lenta, e isso pode arrastar o problema por anos. Enquanto isso, os moradores da zona rural seguem sofrendo com as péssimas condições de trafegabilidade.
A verdade é que a empresa ainda não entregou oficialmente a obra. E por mais que haja um processo judicial em curso, resolver isso de forma administrativa seria, sem dúvida, o melhor caminho — mais rápido, mais eficiente e com menos prejuízo para todos.
Durante a sessão, um engenheiro enviado pela própria empresa esteve presente, realizando vistoria e colhendo informações para elaboração de um relatório técnico. Esse gesto foi interpretado como sinal de boa-fé por parte da construtora. Segundo relatos dos vereadores, a empresa se comprometeu a fazer um paliativo agora e realizar o serviço definitivo após o período chuvoso, em outubro.
Mas isso nos leva a uma pergunta incômoda: como chegamos até aqui?
O projeto da pista foi, à época, muito bem vendido pelo ex-prefeito Fabinho Queiroz. Com discurso afiado e confiança pública, convenceu a Câmara a aprovar um empréstimo para viabilizar a obra. A população acreditou. Os vereadores aprovaram. E o que era um sonho virou pesadelo.
Se você fosse vereador, teria votado naquele projeto de empréstimo?
Com os dados e promessas apresentados, talvez sim. Muitos o fizeram de boa-fé, acreditando na transformação que a pista traria para a região de Lagoa de Outeiro. Mas agora, anos depois, a realidade se impõe com dureza.
O que fica é a lição: transparência, fiscalização e planejamento técnico precisam andar juntos desde o início de qualquer obra pública. Caso contrário, o que começa com fogos de artifício pode terminar em um mar de lama — literal e politicamente.
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