Há datas que ficam marcadas pela festa, pela música e pelo orgulho de uma cidade. E há datas que, por ironia do destino, passam a carregar também a dor, o silêncio e a saudade. No dia da emancipação de Buenos Aires, quando o município celebrava sua própria história, uma estrela se apagava em Lagoa do Outeiro.
Pedro Virgínio de Barros Neto não era apenas um vereador. Era um amigo do povo. Um homem simples, tricolor pernambucano apaixonado pelo Santa Cruz, conhecido por estender a mão, ouvir as pessoas e ajudar quem precisava, sem perguntar o tamanho do problema ou a cor política. Em Lagoa do Outeiro, seu nome era sinônimo de presença, de atenção e de cuidado com os mais humildes.
A comoção tomou conta do distrito e de todo o município. Buenos Aires parou. Portas fechadas, ruas em silêncio. Em Outeiro, o povo ocupou as vias, chorando a perda daquele que os representava na Câmara Municipal e, principalmente, na vida cotidiana. Era o adeus a alguém que fazia parte da rotina, das conversas na rua, dos pedidos atendidos e das esperanças depositadas.
Na manhã do dia 22 de dezembro, sob forte emoção, o corpo de Pedro Virgínio foi sepultado no Cemitério São Cristóvão. O cortejo saiu de sua residência, acompanhado por lágrimas, orações e um sentimento coletivo de incredulidade. O caixão, coberto pela bandeira de Buenos Aires, levava também duas camisas do Santa Cruz — símbolos de um amor que ele carregou até o fim. As camisas acompanharam o vereador como um último gesto de identidade, paixão e pertencimento.
Pedro foi assassinado em frente à própria casa, no distrito de Chã do Outeiro, quando realizava uma reforma. Ao atravessar a rua para ir a uma loja de material de construção, foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta. Os disparos atingiram sua cabeça, interrompendo de forma brutal uma trajetória que ainda tinha muito a oferecer ao povo de Buenos Aires. Desde o início, a polícia levantou a possibilidade de motivação política para o crime, o que apenas reforça a gravidade da perda e da ferida aberta na cidade.
Hoje, Lagoa do Outeiro sente falta do seu amigo. Buenos Aires sente falta do seu representante. E a história do município ganha uma página escrita com lágrimas. Pedro Virgínio partiu no dia em que a cidade celebrava sua emancipação, mas permanece vivo na memória de quem conheceu seu jeito simples, seu compromisso com o povo e seu amor pela terra onde viveu.
A festa passou. A dor ficou. E a saudade, essa, será eterna.









Deixe um comentário