quarta-feira , 25 março 2026
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MPPE investiga denúncia de pulverização aérea de agrotóxicos em assentamento de Tracunhaém

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE está investigando uma denúncia de pulverização aérea de agrotóxicos sobre o Assentamento Chico Mendes, localizado no município de Tracunhaém, na Zona da Mata Norte do Estado.

A denúncia foi encaminhada à Promotoria Agrária no dia 30 de setembro de 2025, por meio de um ofício da Comissão Pastoral da Terra (CPT), entidade que acompanha as famílias camponesas que vivem no assentamento. No documento, obtido pelo Diario de Pernambuco, a CPT relata que moradores registraram em vídeo pulverizações aéreas ocorridas nos dias 20 e 21 de agosto, atribuídas à Usina São José, vizinha à área.

Segundo o agente pastoral da CPT, Plácido Júnior, o produto lançado teria atingido parcelas próximas às lavouras das famílias assentadas, provocando prejuízos significativos. “Hortaliças, abacateiros, jaqueiras e bananeiras foram perdidas. O mato ficou queimado, a lavoura morreu e frutas ainda verdes apodreceram”, afirmou.

A CPT informou ainda que solicitou à Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária do Estado de Pernambuco (Adagro) a realização de análises para identificar o tipo de material pulverizado. Nas imagens gravadas pelos camponeses, é possível visualizar a aeronave realizando a aplicação próxima às áreas de produção familiar.

Em nota, a Usina São José negou a aplicação de agrotóxicos sobre hortas ou plantações do assentamento. A empresa afirmou que, no período citado na denúncia, realizou apenas a aplicação de adubo foliar, utilizando fertilizantes e insumos de caráter nutricional, devidamente registrados no Ministério da Agricultura (Mapa) e autorizados para uso na cultura da cana-de-açúcar.

Apesar do posicionamento da usina, famílias do Assentamento Chico Mendes voltaram a denunciar novas pulverizações. Vídeos encaminhados à CPT mostram, segundo os agricultores, um avião atribuído à empresa realizando aplicação aérea próxima às áreas produtivas das famílias. Em um dos registros, feito no dia 24, a pulverização teria ocorrido a menos de 500 metros de uma plantação de macaxeira.

De acordo com os camponeses, as pulverizações têm sido recorrentes desde a semana anterior, agravando um problema que, segundo eles, vem sendo denunciado desde 2022. Para a CPT, além de comprometer a produção agrícola, a situação representa uma ameaça aos direitos das famílias, à segurança alimentar e à dignidade no campo.

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