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Festa da Padroeira: entre o palco e o altar

Por Bruno Oliveira

Além de cidadão, sou cristão católico. E talvez seja exatamente por isso que me sinto à vontade — e até no dever — de refletir sobre a maior manifestação de fé da nossa cidade.

Ninguém discute a importância histórica e cultural dessa celebração. Ela faz parte da identidade do município, atravessa gerações e guarda memórias que vão muito além do calendário religioso. A festa da padroeira não é apenas um evento; é um componente vivo da nossa história.

Também não ignoro — e nem rejeito — o valor do entretenimento, também gosto e acho importante para os ambulantes e comerciantes. Um bom forró, o encontro na praça, a alegria de estar em casa, na própria cidade, tudo isso fortalece laços e movimenta a cidade. Sempre foi assim, e não há problema algum nisso. Mas é justamente aí que nasce minha reflexão.

Quando olho para a programação da festa, sinto falta de algo essencial: uma presença mais forte, mais visível e mais valorizada daquilo que dá sentido à própria celebração — a fé católica. Não ver um nome de destaque da música católica, ou sequer uma programação específica voltada ao público cristão, causa estranhamento. E não é uma inquietação recente. Essa ausência se repete há muitos e muitos anos. E não somente em Buenos Aires, como também em outros municípios.

Acredito que a festividade profana pode — e deve — continuar existindo, como sempre existiu. No entanto, também acredito que é possível, e necessário, haver um maior respeito e investimento na dimensão religiosa da festa. Seja com uma atração católica de expressão nacional, seja com uma programação paralela, pensada exclusivamente para os fiéis.

Digo isso porque outras datas do calendário municipal — como o Carnaval, o São João ou a emancipação política — já carregam, por natureza, o peso do entretenimento profano. Nelas, a diversidade de estilos e gostos musicais é esperada e bem-vinda. A festa da padroeira, porém, nasce do altar, não do palco.

Refletir sobre isso não é criar polêmica. É apenas lembrar que, antes do som, da luz e do espetáculo, existe uma devoção. E que respeitá-la não diminui a festa — pelo contrário, a torna mais coerente com sua própria essência.

Talvez seja hora de equilibrar melhor o que é celebração e o que é fé. Porque quando a gente entende o motivo da festa, todo o resto encontra o seu lugar.

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