quinta política — por Bruno Oliveira
O silêncio da prefeitura de Buenos Aires
Uma semana. Sete dias desde que um escândalo, revelado pela Polícia Civil e envolvendo a gestão anterior — ligada ao mesmo grupo político da atual administração — veio à tona. Tempo suficiente para apuração inicial, para posicionamentos, para uma resposta institucional. Mas o que se vê, até agora, é o silêncio.
E o silêncio, em política, nunca é neutro.
Desde que publiquei as primeiras informações, cumpri o papel básico do jornalismo: informar com base em dados, documentos e fontes. Ainda assim, vieram ataques, ameaças e críticas vazias — muitas delas desconectadas da realidade dos fatos. Nada disso é novidade. Em momentos como esse, o barulho costuma ser uma tentativa de desviar o foco do que realmente importa.
Curioso é perceber como parte da opinião pública trata o jornalismo de forma seletiva. Quando o escândalo atinge “o outro lado”, a divulgação é legítima, necessária, compartilhada. Quando o caso envolve aliados ou grupos próximos, surgem dúvidas, desconfianças e acusações de “narrativa”. Como se os fatos escolhessem lados.
Não escolhem.
Quando vieram à tona as denúncias de fraude em licitações na gestão de Dr. Gislan, o assunto ganhou ampla repercussão — e, sim, foi explorado politicamente. Eu mesmo comentei diversas vezes sobre aquele episódio. Agora, diante de investigações que envolvem a gestão anterior à atual, o cenário se repete — mas a reação de parte do público é diferente. E isso diz muito mais sobre quem reage do que sobre quem informa.
É importante deixar claro: não cabe ao jornalista condenar. Não é esse o papel, nem deve ser. As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Civil e com acompanhamento de órgãos como o Tribunal de Contas do Estado. O que cabe a nós é dar luz aos fatos, contextualizar e cobrar respostas.
E aqui está o ponto central: a ausência delas.
A Prefeitura de Buenos Aires, até o momento, não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Nenhuma nota, nenhum esclarecimento, nenhuma sinalização à população. Segue a rotina administrativa como se nada tivesse acontecido. Mas aconteceu. E não se trata de um episódio comum.
Estamos falando de possíveis irregularidades que impactam diretamente o uso do dinheiro público — recurso que pertence à população e que deveria retornar em forma de serviços, qualidade de vida e dignidade. Ignorar isso não apaga o problema. Apenas o torna mais grave.
Às vezes, uma nota mal escrita ainda cumpre uma função: reconhece o fato, demonstra preocupação, sinaliza responsabilidade. O silêncio, por outro lado, pode soar como indiferença — ou pior, como tentativa de evitar o debate.
Reitero: este espaço permanece aberto. Advogados, investigados ou representantes da gestão municipal que desejarem se manifestar terão voz. Nunca houve, e não haverá, recusa ao contraditório.
O compromisso aqui é com o que é certo. Com a verdade possível dentro dos fatos. E com a justiça — não a que condena sem provas, mas a que se constrói com transparência.
Porque, no fim, não é sobre governo ou oposição.
É sobre a população — que merece respostas.









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