Antes de qualquer disputa, antes de cargos, votos ou discursos, vem a família.
E família não é palanque. É base.
Nos últimos dias, tenho lido comentários, ouvido falas e percebido algo que dói mais do que qualquer embate político: uma família dividida. Dividida por política. Isso é trágico.
Vivemos tempos em que a política parece ocupar todos os espaços — a rua, a internet, a mesa do almoço. Mas família é particular. É sua. É nossa. É o bem mais precioso que a gente pode ter.
Quando olho para a realidade de Buenos Aires, vejo dois irmãos no centro de uma situação política delicada, envolvendo a presidência da Câmara de Vereadores. Mas hoje, propositalmente, não quero tratar do problema. Quero tratar dos dois irmãos. E, principalmente, da possibilidade de uma solução.
Estamos falando de duas pessoas vencedoras, batalhadoras, que saíram da zona rural e hoje ocupam cadeiras no Legislativo do nosso município. Nada veio fácil. Como tantas outras pessoas da zona rural, enfrentaram dificuldades, obstáculos, desafios que só quem vive essa realidade conhece. São filhos de pais que trabalharam duro para sustentar, cuidar e dar dignidade à família. Hoje, esses dois irmãos se tornaram exemplo para seus filhos — exemplo de conquista, de superação, de alguém que conseguiu oferecer condições que talvez não tenham tido na infância.
Porque quando falamos de dois irmãos, falamos também de um pai e de uma mãe. Falamos de uma história comum, de uma criação, de laços que nenhum mandato deveria romper.
As divergências políticas são naturais. Fazem parte da democracia. O que não pode ser natural é o rompimento familiar por causa delas.
Por isso, deixo aqui um convite sincero e público: que essa divergência fique no campo político. Que o debate siga, que as posições sejam mantidas, mas que a família seja preservada.
Não escrevo isso para ser invasivo, nem para expor feridas. Escrevo porque, às vezes, um olhar de fora, externo, ajuda a enxergar caminhos que, de dentro do conflito, ficam difíceis de ver. Minha intenção é união, não interferência.
Se for preciso diálogo, eu me coloco à disposição para intermediar. Sem plateia, sem terceiros, sem agregados. Apenas uma conversa franca, um café, eu e os dois, para entender as dificuldades e tentar construir pontes onde hoje existem muros. Vocês dois têm meu contato e sabem disso.
Enquanto muitos agitam, inflamam e torcem pelo conflito, eu escolho apaziguar.
Porque mandato passa. Política passa.
Mas família, quando se quebra, deixa marcas que o tempo nem sempre consegue consertar.
E deixo a pergunta, de forma direta e respeitosa: vocês aceitam esse convite para o diálogo?
Porque nenhuma vitória política vale o preço de uma família dividida.









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