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Memórias Vivas: Uma história sobre Gislan de Almeida Alencar

 Memórias Vivas por Bruno Oliveira

Minha mãe sempre guardou muitas histórias do tempo em que trabalhou na prefeitura de Buenos Aires, e uma delas ficou marcada não apenas na memória dela, mas também na minha. Sempre que ela conta, sinto como se voltasse no tempo junto com ela. É uma lembrança ligada ao ex-prefeito Gislan de Almeida Alencar, que governou nossa cidade por cinco mandatos.

Ela situa o episódio no início da década de 1990, provavelmente em 1992 ou 1993, quando ele ainda estava em seu primeiro mandato. Naquela época, minha mãe trabalhava em uma sala próxima ao gabinete. Por ter uma caligrafia bonita, era frequentemente chamada para escrever bilhetes, preencher cheques ou anotar pedidos que chegavam até a prefeitura.

“Ele confiava muito em mim pra essas coisas”, ela costuma dizer. Mas havia um detalhe: quando a sala estava cheia de gente, ela ficava nervosa, com medo de errar na frente dos outros. E foi justamente isso que aconteceu num certo dia.

O gabinete estava cheio, pessoas entrando e saindo, cadeiras sendo arrastadas, um movimento constante. No meio da agitação, Gislan pediu para que minha mãe registrasse um pedido de doação: um milheiro de tijolos (1.000 tijolos). Uma tarefa simples, mas que naquele instante se transformou em um grande desafio.

“Misericórdia, eu escrevia e apagava, e não saía de jeito nenhum”, ela lembra, rindo da própria aflição. O número parecia escapar da cabeça, e quanto mais tentava, mais o branco aumentava.

Ao perceber a situação, Gislan pegou o papel e, com a letra firme que tinha, mostrou como escrever. Mesmo assim, minha mãe, tomada pelo nervosismo, não conseguiu. Foi então que ele, sorrindo, disse:

— Lucinha, deixa isso pra lá, não se aperreie não.

Ela, ainda aflita, respondeu:

— Não me chame mais pra essas coisas não.

O momento acabou em risos, e a tensão passou.

Além dessa cena engraçada, minha mãe também guarda outras lembranças do convívio na prefeitura. Uma delas foi um conselho que ele sempre repetia: a importância de olhar nos olhos de quem se conversa. “Quando você fala olhando nos olhos da pessoa, Lucinha, dá pra saber se ela está dizendo a verdade ou não”, dizia.

Outra memória forte veio quando minha avó adoeceu e precisou ficar no hospital. Minha mãe, preocupada, foi pedir férias para poder cuidar dela. A resposta foi curta, mas marcou:

— Férias são pra descansar, Lucinha, não é pra viver dentro de hospital. Vá cuidar da sua mãe, depois traga uma declaração e pronto.

Essas passagens, simples no enredo, revelam detalhes do cotidiano e da convivência com uma figura pública que marcou época em Buenos Aires. Gislan de Almeida Alencar pode ter sido, ao longo de sua trajetória, alvo de polêmicas e debates políticos, mas para quem esteve perto dele no dia a dia, também deixou lembranças humanas, feitas de gestos, frases e pequenas atitudes.

Para minha mãe, não foi apenas o prefeito que ela conheceu, mas alguém que marcou sua trajetória de vida. São essas histórias, contadas no tom da lembrança, que ajudam a manter viva a memória de pessoas que, de alguma forma, cruzaram nosso caminho.

Não se trata aqui de santificar nem de julgar ninguém, mas de registrar memórias vivas que, no fundo, revelam o que o tempo nunca apaga: as histórias que permanecem.

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