A recente tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras, em vigor desde 6 de agosto, ameaça atingir em cheio a economia da Mata Norte de Pernambuco. Regiões que têm no açúcar, produtos de confeitaria e derivados do setor sucroalcooleiro suas principais fontes de exportação estão entre as mais vulneráveis.
De acordo com a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), a medida pode gerar uma perda de até US$ 205 milhões nas exportações do estado para o mercado norte-americano — o segundo principal destino dos produtos pernambucanos, atrás apenas da Argentina.
Na Mata Norte, municípios como Lagoa do Itaenga (US$ 19,96 milhões exportados em 2024), Camutanga (US$ 15,69 milhões) e Timbaúba (US$ 5,11 milhões) estão na linha de frente dos possíveis prejuízos. Todos têm forte ligação com a produção e venda internacional de açúcar e produtos de confeitaria, segmento que deve sofrer retração imediata caso o cenário se mantenha.
Além disso, Goiana, que exporta desde produtos químicos e veículos até equipamentos de precisão, também aparece na lista de cidades que podem ser afetadas, ainda que em menor volume (US$ 0,06 milhão em 2024).
A dependência econômica desses municípios do comércio exterior significa que o tarifário norte-americano não é apenas um dado macroeconômico: ele se traduz em risco direto para empregos, renda familiar e contratos de longo prazo com parceiros internacionais. Usinas, indústrias e pequenos fornecedores que orbitam essa cadeia produtiva já se mobilizam para buscar alternativas e minimizar as perdas.
Se a tarifa persistir, o impacto na Mata Norte pode ir muito além das cifras — afetando a vida de trabalhadores, agricultores e empresários que dependem desse fluxo comercial para manter a economia local pulsando.
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