Lar Buenos Aires Memórias Vivas | Kinha, você ainda mora aqui
Buenos Aires

Memórias Vivas | Kinha, você ainda mora aqui

Kinha,

Hoje faz um ano. Um ano inteiro desde o dia em que o mundo ficou diferente, mais silencioso, mais pesado. Eu escrevo daqui da terra, com o pensamento perdido no céu, tentando imaginar onde você está e tentando aceitar que agora você mora em outro lugar, mesmo continuando tão presente aqui. Minha amiga, minha irmã, minha conselheira… quanta falta você faz.

A sua ausência não é só saudade, é vazio. É procurar alguém que sempre esteve ali e, de repente, não está mais. Você faz falta na secretaria paroquial, na organização das festas, nas conversas de rotina, nas decisões difíceis, no nosso grupo de amizades. Até no grupo de WhatsApp a sua ausência grita. Quando volto no tempo, percebo o quanto fomos felizes sem nem saber: noites que viraram conversa, risos misturados com desabafos, viradas de ano, Páscoas, Natais, São João, Carnaval, viagens, perrengues e histórias que hoje doem, mas ainda aquecem.

Lembro de você dirigindo a kombi da igreja, sendo secretária, motorista, organizadora e amiga ao mesmo tempo. Lembro do seu esforço para conquistar o seu carrinho; eu vi sua luta, seu cansaço e sua alegria quando conseguiu. Você batalhou muito, Kinha, e venceu muita coisa sem nunca medir o tamanho das suas próprias conquistas.

Sou grato a Deus por cada momento que Ele me permitiu viver ao seu lado. Você tinha um dom raro: ninguém ficava para trás. Você acolhia, puxava, segurava a mão e aconselhava com um jeito simples, direto e humano. Ajudou muita gente sem nunca saber. Você era porto, abrigo, casa.

Escrevo chorando, numa noite em que o sono não chega. Em certo momento precisei parar, porque a emoção atravessou minha alma… e, por alguns segundos, eu senti você aqui comigo. Há um ano chorei como nunca chorei na vida e, ainda hoje, não consigo revisitar nossas fotos. Não tenho coragem. Encontrei, sem querer, um cartão de memória com fotos do Juazeiro — a viagem que você tanto insistiu para que eu fosse — e não consegui abrir. Ainda não estou pronto. Me perdoa.

Queria também te pedir desculpas por não ter conseguido te ajudar mais, por não ter percebido algumas dores suas, por não termos tido uma última conversa. Essa culpa às vezes pesa mais que a saudade. Mas eu sei… Deus sabe de tudo, e é nisso que tento descansar, guardando você nas lembranças que ninguém tira de mim.

As resenhas no carro, as paradas para comer, as viagens longas, as conversas sem fim, seu jeito, suas brincadeiras, as noites cansativas preparando missas, eventos e festas. Com você eu podia falar de tudo; não existia medo, nem julgamento, existia confiança. Queria tanto que você não tivesse ido agora e queria, mais ainda, ter dito isso antes: você me ajudou a ser quem eu sou, você faz parte da minha história, da minha construção.

Que saudade dói em mim, Kinha. Cuida de nós aí de cima, olha por quem ficou tentando ser forte todos os dias. Hoje, com o coração aberto, eu te digo: eu te amo. A dor existe, a falta existe, a saudade aperta. Mas você continua viva — viva em cada lembrança, em cada ensinamento, viva dentro de mim.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais do Buenos Notícias:

Colisão é registrada na BR-408, próximo ao trevo de Buenos Aires

Uma colisão foi registrada na manhã desta quarta-feira (04) na BR-408, nas...

Prefeito Henrique Queiroz garante projetos de mel e moda para Buenos Aires na ADEPE

O prefeito de Buenos Aires, Henrique Queiroz, esteve na Agência de Desenvolvimento...

Justiça suspende eleição da Mesa Diretora da Câmara de Buenos Aires

A eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Buenos Aires, prevista...

Morre aos 104 anos Maria Clementino de Souza, conhecida como Donzinha

A comunidade recebeu com pesar a notícia do falecimento de Maria Clementino...