Por Bruno Oliveira
História e legado não são a mesma coisa.
História, muitas vezes, pode ser entendida como o registro dos feitos — aquilo que se torna histórico com o tempo. Já o legado é diferente: é aquilo que atravessa gerações, que marca pessoas, que molda grupos e passa a fazer parte da identidade de uma cidade.
Escrevo isso não apenas como jornalista, mas como alguém que cresceu vendo de perto os movimentos políticos de Buenos Aires, na Mata Norte de Pernambuco.
Há três anos, o município se despedia do ex-prefeito Dr. Gislan Almeida Alencar, aos 82 anos, após uma longa luta contra o câncer. Empresário e político por vocação, ele construiu uma trajetória que poucos conseguiram: foram cinco mandatos à frente da Prefeitura, um feito histórico que até hoje ninguém repetiu e que talvez não se repetirá.
Mas, mais do que números, o que fica são as imagens que o tempo não apaga.
Quando penso em Dr. Gislan, algumas cenas vêm de imediato à memória: o chapéu laranja com seu nome, o carro de som percorrendo as ruas, e, claro, a música que marcou suas campanhas — “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré. Elementos simples, mas que ajudaram a construir uma identidade política forte e reconhecida por gerações.
É evidente que, como toda figura pública, sua trajetória também foi cercada por críticas, divergências e opiniões diferentes. E isso faz parte. Não se trata de santificar após a morte, mas de reconhecer, com equilíbrio, o papel que ele teve na construção do município.
Quem goste ou quem não goste, há um fato que não pode ser ignorado: a história de Buenos Aires passa, necessariamente, pelo nome de Dr. Gislan Alencar.
Três anos depois, o tempo segue seu curso, mas certas lembranças permanecem. E talvez seja exatamente isso que diferencia história de legado — aquilo que não se apaga, porque continua vivo na memória do povo.









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