Por Bruno Oliveira
Aprendi que, antes de escrever sobre temas que despertam paixões, é preciso esperar a poeira baixar, refletir e analisar os fatos. Por isso, minha avaliação sobre o São João de Buenos Aires vai muito além da discussão sobre ter ou não grandes atrações.
O principal problema continua sendo a falta de planejamento e, principalmente, a falta de comunicação da Prefeitura.
Uma gestão pública precisa explicar suas decisões. Hoje, isso não acontece. A população muitas vezes não sabe o que está acontecendo, a imprensa não encontra respostas oficiais e nem sempre existe alguém autorizado a falar em nome do governo municipal. O resultado é previsível: dúvidas, especulações e desgaste.
Um exemplo recente foi a mudança na Secretaria de Educação. A saída da então secretária Zélia Andrade ocorreu sem qualquer comunicado oficial explicando a substituição ou apresentando formalmente a nova gestão.
Se essa mudança possui ou não relação com a investigação conduzida pela Polícia Civil, cabe às autoridades apurar, respeitando o devido processo legal. Mas isso não elimina a obrigação da Prefeitura de comunicar seus atos administrativos com transparência. O silêncio nunca informa; apenas alimenta questionamentos.
Sobre o São João, continuo defendendo a mesma posição.
Buenos Aires não precisa competir com cidades como Carpina e Tracunhaém, que possuem eventos consolidados e estruturas maiores. Entrar nessa disputa significa investir cada vez mais recursos para disputar um público que naturalmente já possui outras opções.
Isso não significa enfraquecer a tradição junina.
As apresentações das escolas, os festivais de quadrilhas, as quadrilhas tradicionais e todas as manifestações culturais precisam continuar sendo valorizadas, porque representam a verdadeira identidade do nosso município.
O que proponho é outro modelo.
Em vez de distribuir recursos em cinco ou seis dias de programação, seria possível concentrar a festa em três dias, reduzindo custos com estrutura, palco, sonorização, iluminação e logística.
A economia permitiria investir em uma programação mais forte e atrativa.
Planejar também significa fazer escolhas inteligentes.
Na minha avaliação, Buenos Aires tem muito mais potencial para fortalecer o Revivendo São João do que tentar disputar espaço justamente no período em que os cachês dos artistas alcançam seus maiores valores.
Minha principal crítica nunca foi ao São João.
Ela é dirigida à ausência de planejamento, de estratégia e de comunicação. Porque uma gestão que comunica mal também administra mal a percepção da população.








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